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Infertilidade masculina: como se avalia o fator masculino

Fala-se em infertilidade quando um casal não consegue engravidar após cerca de doze meses de tentativas regulares, sem uso de contracepção. O fator masculino participa de uma parcela expressiva desses casos — sozinho ou combinado ao fator feminino —, e por isso a avaliação do homem deve caminhar em paralelo à da parceira, e não depois. A investigação do fator masculino parte da história, do exame físico, do espermograma e das dosagens hormonais, buscando causas tratáveis, como a varicocele.

O enquadramento aqui é do exame à decisão: identificar o que pode ser corrigido, entender o real impacto de cada achado sobre a fertilidade e escolher, em conjunto com o casal, o caminho que faz sentido — da correção de uma causa específica às técnicas de reprodução assistida. Nenhuma conduta é automática, e o objetivo é ampliar as chances de gravidez sem prometer resultados.

Resposta pela equipe · São Paulo e São José dos Campos

O que é infertilidade masculina

A fertilidade masculina depende de uma cadeia: produção adequada de espermatozoides no testículo, maturação e transporte por um sistema de canais, e ejaculação que leve esses espermatozoides ao trato genital feminino. Uma falha em qualquer etapa pode reduzir a chance de gravidez. Importante: infertilidade não é o mesmo que impotência ou baixa testosterona — muitos homens inférteis têm vida sexual e níveis hormonais normais, e a dificuldade só se revela na tentativa de ter filhos.

Também é frequente que a infertilidade masculina não dê nenhum sintoma. Em geral, o que leva o homem à consulta é a dificuldade do casal para engravidar, não uma queixa física — o que torna o espermograma uma peça central da avaliação.

Por que acontece — causas do fator masculino

As causas do fator masculino são variadas e, muitas vezes, mais de uma coexiste. Entre as mais frequentes:

  • Varicocele — dilatação das veias do escroto, uma das causas identificáveis e potencialmente tratáveis de alteração seminal.
  • Fatores hormonais — alterações no eixo que comanda os testículos podem reduzir a produção de espermatozoides.
  • Histórico de criptorquidia — o testículo que não desceu na infância, mesmo já corrigido, associa-se a maior risco de alteração da fertilidade.
  • Infecções e inflamações — quadros do trato genital podem afetar a produção ou o transporte dos espermatozoides.
  • Obstruções — bloqueios nos canais que transportam os espermatozoides, incluindo a situação de quem fez vasectomia e deseja reverter.
  • Hábitos e exposições — tabagismo, álcool em excesso, calor local, obesidade, esteroides anabolizantes e algumas medicações interferem na qualidade do sêmen.
  • Fatores genéticos — presentes sobretudo nos casos de alteração seminal acentuada.

Em parte dos casos, mesmo após investigação cuidadosa, não se encontra uma causa única — o que não impede que existam caminhos de tratamento.

Leve a sua dúvida para a avaliação

Uma consulta esclarece a causa, os exames necessários e os próximos passos no seu caso.

Varicocele e infertilidade — do exame à conduta

A varicocele merece destaque porque é uma das causas mais estudadas e uma das poucas passíveis de correção. Ela pode se associar a peso ou dor no escroto, redução do volume testicular e alterações no espermograma. Encontrar uma varicocele, porém, não significa automaticamente que ela é a causa da infertilidade nem que precisa ser operada — muitos homens têm varicocele sem qualquer repercussão.

A correção (varicocelectomia) costuma ser discutida quando há varicocele palpável associada a alterações do espermograma em um casal com dificuldade para engravidar, ou quando há dor persistente ou queda progressiva do volume testicular. Aprofunde no guia dedicado à varicocele. A decisão pondera os exames, o desejo reprodutivo e as alternativas — inclusive as técnicas de reprodução assistida.

Como é feita a investigação

A investigação começa por uma conversa sobre o tempo de tentativa, a história reprodutiva do casal, cirurgias e infecções prévias, medicações, hábitos e exposições. O exame físico avalia os testículos (volume e consistência), o epidídimo, a presença de varicocele e outros achados. O exame central é o espermograma, geralmente repetido para confirmar o padrão, já que o resultado varia de uma coleta para outra.

Conforme os achados, complementa-se com dosagens hormonais, ultrassonografia com Doppler do escroto e, em situações selecionadas, testes genéticos e outras avaliações especializadas. O objetivo é entender se existe uma causa corrigível e qual o impacto real sobre a fertilidade — sempre em conjunto com a avaliação da parceira, porque a decisão é do casal.

Opções de tratamento

A conduta parte da causa e do projeto do casal. Os caminhos incluem:

  • Ajuste de hábitos e fatores tratáveis — parar de fumar, moderar o álcool, tratar a obesidade, revisar medicações e afastar o calor excessivo podem melhorar os parâmetros seminais.
  • Correção da varicocele — quando indicada pelos critérios discutidos acima.
  • Tratamento hormonal — em casos selecionados com alteração hormonal comprovada, sem tratar um número isolado.
  • Tratamento de infecções e de obstruções — conforme o diagnóstico, incluindo procedimentos reconstrutivos em situações específicas.
  • Técnicas de reprodução assistida — quando indicadas, em parceria com a equipe de reprodução humana, muitas vezes de forma complementar às medidas acima.

A tecnologia entra como recurso a serviço da indicação, não como ponto de partida: a escolha considera os exames, o tempo do casal, a idade da parceira e as preferências de cada um.

Decisão compartilhada

Definir o plano de fertilidade é uma decisão do casal, apoiada em informação clara. Uma varicocele pode ser acompanhada ou corrigida; um casal pode priorizar a correção de uma causa ou partir mais cedo para a reprodução assistida, conforme a idade e os exames. Explicar as alternativas, o que cada uma pode oferecer e os seus limites — sem prometer gravidez — é parte da consulta. O tempo também conta, e discuti-lo abertamente evita tanto a pressa quanto a demora desnecessária.

Quando procurar avaliação — sinais de alerta

  • Doze meses de tentativas sem gravidez — ou seis meses, quando a parceira tem mais de 35 anos.
  • Histórico de criptorquidia, cirurgia na região genital, torção ou trauma testicular.
  • Varicocele associada a redução do volume de um testículo.
  • Alterações já conhecidas no espermograma.
  • Sinais de baixa testosterona (queda da libido, cansaço, alterações de humor), que também partem do testículo — veja deficiência de testosterona.

Esses pontos não fecham diagnóstico, mas indicam que a avaliação do fator masculino deve começar.

Segunda opinião

Uma segunda opinião em urologia é útil quando se discute cirurgia de varicocele, quando o espermograma mostra alterações importantes, quando há dúvida entre corrigir uma causa e partir para reprodução assistida, ou quando o casal quer entender as opções com mais clareza antes de decidir. Ela organiza exames e alternativas e ajuda a alinhar o plano ao momento do casal.

Perguntas frequentes

Em muitos casos, sim. Depois de identificar as causas, o tratamento pode incluir ajuste de hábitos, correção de varicocele, tratamento hormonal em casos selecionados e técnicas de reprodução assistida. A conduta é individualizada e não há promessa de gravidez.

Não. Muitos homens têm varicocele sem qualquer repercussão sobre a fertilidade. A correção costuma ser considerada quando há varicocele palpável com alterações no espermograma em um casal com dificuldade para engravidar.

Não. São situações diferentes e podem ocorrer separadamente. Muitos homens inférteis têm testosterona normal, e a investigação da fertilidade se apoia principalmente no espermograma, não apenas no hormônio.

Em geral, sim. O resultado varia de uma coleta para outra, por isso costuma ser repetido para confirmar o padrão antes de definir a conduta.

Após cerca de doze meses de tentativas sem gravidez, ou após seis meses quando a parceira tem mais de 35 anos. Histórico de criptorquidia, cirurgia genital ou alterações no espermograma justificam avaliar antes.

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Dr. Flávio Haruyo Iizuka — CRM-SP 75.674 — RQE 32.918 — Urologia.

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