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Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no homem
As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são causadas por bactérias, vírus, fungos ou parasitas transmitidos principalmente pelo contato sexual. No consultório de urologia, costumam aparecer de três formas: uretrite (corrimento e ardência ao urinar), lesões genitais (feridas, verrugas ou manchas) e, muitas vezes, sem sintoma nenhum. O caminho é sempre o mesmo: diagnóstico específico do agente, tratamento direcionado e orientação à parceria — nunca automedicação por conta própria.
O ponto que orienta esta página é prático: sintomas parecidos podem ter causas diferentes, e o mesmo agente pode se apresentar de formas distintas. Por isso, tratar “às cegas” costuma falhar. Identificar o que está causando a queixa é o que permite escolher o tratamento certo, reduzir a transmissão e evitar complicações — do primeiro sinal até a alta.
Resposta pela equipe · São Paulo e São José dos Campos
O que são as ISTs e como se apresentam
Sob o nome de ISTs reúnem-se infecções bastante diferentes entre si. Algumas são de origem bacteriana e respondem bem a antibióticos, com resolução do quadro; outras são virais e, por enquanto, são controláveis, mas não eliminadas por completo. Essa distinção é importante para alinhar expectativas desde o início.
De modo geral, as manifestações se agrupam em três grandes quadros: a uretrite, marcada por corrimento e desconforto ao urinar; as lesões genitais, que incluem feridas (úlceras) e verrugas; e as infecções silenciosas, sem sintomas, que só aparecem em exames. Este último grupo é o que mais preocupa do ponto de vista de saúde pública, porque a pessoa pode transmitir a infecção sem saber que a tem.
Uretrite — corrimento e ardência ao urinar
A uretrite é a inflamação da uretra e é uma das apresentações mais frequentes. Costuma se manifestar por saída de secreção pela ponta do pênis, ardência ou dor ao urinar e, às vezes, aumento da frequência urinária. As causas mais comuns são infecções bacterianas transmitidas sexualmente, mas nem toda ardência ao urinar é IST — a dor ao urinar também aparece em infecções urinárias e em outras condições, o que reforça a necessidade de investigar em vez de presumir.
O tratamento da uretrite depende do agente identificado e, com frequência, contempla mais de um microrganismo, porque associações são comuns. Tratar apenas metade do problema é uma das principais causas de recaída.
Leve a sua dúvida para a avaliação
Uma consulta esclarece a causa, os exames necessários e os próximos passos no seu caso.
Lesões genitais — feridas e verrugas
Feridas (úlceras) na região genital podem ser dolorosas ou indolores, únicas ou múltiplas, e cada padrão sugere causas diferentes — da sífilis ao herpes. Já as verrugas genitais estão ligadas ao HPV, tema aprofundado no guia de HPV em homens. Manchas, coceira e descamação têm ainda outras origens. O exame diferencia esses quadros e define quais testes são necessários.
Uma ferida genital que não dói pode passar despercebida e desaparecer sozinha, dando a falsa impressão de cura — quando, na verdade, a infecção segue seu curso. Por isso, qualquer lesão genital merece avaliação, mesmo que suma.
ISTs que podem passar despercebidas
Boa parte das ISTs não dá sintomas por longos períodos. Infecções como clamídia, algumas fases da sífilis, hepatites virais e o HIV podem evoluir de forma silenciosa e ser descobertas apenas em exames ou quando já causaram repercussões. Essa é a razão pela qual a testagem periódica, sobretudo em quem tem vida sexual ativa com parcerias novas, faz parte do cuidado — e não é sinal de desconfiança de ninguém, mas de responsabilidade com a própria saúde e com a do outro.
Como é feita a investigação
A avaliação começa por uma conversa reservada sobre os sintomas, o tempo de evolução, as práticas sexuais e o histórico de infecções e vacinas. O exame físico observa a região genital, a uretra, a pele e os gânglios. A partir daí, solicitam-se exames direcionados: análise da secreção uretral, testes para os principais agentes, sorologias para sífilis, HIV e hepatites, entre outros, conforme a suspeita.
Como as ISTs frequentemente coexistem, encontrar uma justifica pesquisar outras. O objetivo não é rotular, e sim identificar com precisão o que está presente para tratar de forma completa e orientar a prevenção daqui para a frente.
Tratamento e cuidado com a parceria
O tratamento é sempre direcionado ao agente identificado. As infecções bacterianas costumam responder a antibióticos, com resolução do quadro quando o esquema é seguido corretamente; as virais recebem antivirais e acompanhamento, com foco em controlar sintomas e reduzir a transmissão. Concluir o tratamento até o fim, evitar relações no período orientado e retornar para reavaliação fazem parte do processo.
O cuidado com a parceria é indissociável do tratamento. Orientar, encaminhar para avaliação e, quando indicado, tratar as parcerias evita o “efeito pingue-pongue”, em que a infecção vai e volta entre as pessoas. Esse passo é feito com discrição e sem julgamentos — é medicina, não moral.
Prevenção
A prevenção combina medidas simples e complementares: uso de preservativo, vacinação disponível para algumas infecções (como HPV e hepatite B), testagem periódica, tratamento das parcerias e diálogo aberto sobre saúde sexual. Nenhuma medida isolada protege de tudo, mas o conjunto reduz de forma consistente o risco. A prevenção também inclui procurar avaliação diante do primeiro sintoma, sem esperar “ver se melhora”.
Quando procurar avaliação — sinais de alerta
- Corrimento pela uretra, sozinho ou com ardência ao urinar.
- Ferida, úlcera, verruga ou mancha na região genital, mesmo que não doa.
- Dor ou inchaço nos testículos, que pode indicar disseminação da infecção.
- Febre, dor articular ou íngua na virilha associadas a sintomas genitais.
- Parceria com diagnóstico de IST, ainda que você não tenha sintomas.
Esses sinais não fecham diagnóstico, mas indicam que a avaliação não deve ser adiada.
Segunda opinião
Uma segunda opinião em urologia é útil quando os sintomas persistem apesar do tratamento, quando há recorrência, quando os exames são discordantes ou quando o paciente quer entender com mais clareza o diagnóstico, o tratamento das parcerias e a prevenção. Ela reorganiza a investigação e evita ciclos de tratamento incompleto.
Perguntas frequentes
Não. A ardência ao urinar pode ser causada por infecção urinária, uretrite de origem sexual e outras condições. Só a avaliação com exames direcionados diferencia essas causas e define o tratamento correto.
Não é recomendável. Sintomas parecidos têm causas diferentes, e o tratamento “às cegas” costuma falhar ou tratar só parte do problema. Identificar o agente é o que permite escolher o tratamento direcionado.
Sim, quando indicado. Orientar e tratar as parcerias evita a reinfecção, em que a IST vai e volta entre as pessoas. Esse cuidado é feito com discrição e faz parte do tratamento completo.
Nem sempre. Algumas feridas, como as da sífilis, desaparecem sozinhas mesmo com a infecção ativa. Por isso, qualquer lesão genital merece avaliação, mesmo que tenha sumido.
Depende da vida sexual de cada um, especialmente do número e da troca de parcerias. Em quem tem parcerias novas, a testagem periódica é recomendada. A periodicidade é definida individualmente na consulta.
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Dr. Flávio Haruyo Iizuka — CRM-SP 75.674 — RQE 32.918 — Urologia.
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