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RTU de Próstata

A RTU de próstata (ressecção transuretral da próstata) é uma cirurgia endoscópica que remove, por dentro do canal da urina e sem incisões externas, o tecido prostático que obstrui a passagem da urina na hiperplasia prostática benigna (HPB) — o aumento benigno da próstata. Ela é uma referência consolidada no tratamento da obstrução por HPB e costuma proporcionar um alívio robusto e duradouro dos sintomas, sendo indicada em cenários específicos. Ainda assim, não é a resposta para todos os casos: é uma entre várias opções, e a decisão parte do quanto os sintomas incomodam, do que os exames mostram e dos seus objetivos — não da técnica. Nesta página você entende quando a RTU pode ser indicada, quais são as alternativas, como é feita, quais são os riscos e efeitos possíveis e como costuma ser a recuperação.

Resposta pela equipe · São Paulo e São José dos Campos

Do sintoma à decisão na HPB

A HPB é comum com o avançar da idade e nem sempre precisa de cirurgia. A avaliação começa medindo o incômodo dos sintomas (o questionário I-PSS ajuda a quantificar sintomas e qualidade de vida), com exame clínico, PSA quando indicado, medida do volume prostático por ultrassonografia, avaliação do jato urinário (urofluxometria) e do resíduo que sobra na bexiga após urinar. Situações como retenção urinária de repetição, sangramento por HPB, cálculos ou repercussão sobre a bexiga e os rins reforçam a indicação de tratar de forma mais definitiva. É esse conjunto — e não o tamanho isolado da próstata — que orienta a escolha entre observar, medicar ou operar, e entre as diferentes técnicas cirúrgicas.

Quando pode ser indicada

A indicação depende do diagnóstico, da gravidade dos sintomas, da anatomia, dos exames, de tratamentos prévios, dos riscos individuais e dos seus objetivos. De modo geral, a RTU é considerada em homens com sintomas de HPB de intensidade moderada a acentuada que não obtiveram alívio satisfatório com medidas comportamentais e medicamentos, e naquelas situações em que há indicação mais definitiva de desobstruir — como retenção urinária recorrente, infecções de repetição associadas à obstrução, sangramento persistente de origem prostática ou repercussão sobre a bexiga e os rins. O tamanho e o formato da próstata ajudam a definir se a RTU é a técnica adequada ou se outra abordagem é mais indicada.

Leve a sua dúvida para a avaliação

Uma consulta esclarece a causa, os exames necessários e os próximos passos no seu caso.

Quando NÃO é a rota preferida — e quais são as alternativas

A RTU não é o caminho único. Quando os sintomas são leves e pouco incômodos, observar com mudanças de hábito pode bastar, e o tratamento medicamentoso segue como primeira linha para muitos pacientes. Para quem busca preservar ao máximo a ejaculação ou prefere um procedimento menor, opções minimamente invasivas como o Rezūm (vapor de água) e o UroLift (implantes que afastam o tecido) entram na comparação — cada uma com seu perfil de alívio e durabilidade. Já próstatas muito volumosas podem responder de forma mais adequada a técnicas a laser (como a enucleação) ou a uma cirurgia de maior porte. Não existe uma técnica universalmente superior: a RTU costuma oferecer alívio consistente, mas a rota certa equilibra o tamanho da próstata, a intensidade dos sintomas e as suas prioridades — inclusive quanto aos efeitos sobre a ejaculação.

Como é a decisão compartilhada

Escolher a técnica na HPB é, em boa medida, alinhar o alívio desejado ao que você aceita em termos de porte do procedimento e de efeitos. A RTU tende a oferecer um resultado consolidado, mas a maioria dos homens passa a ter ejaculação retrógrada depois — o sêmen segue para a bexiga em vez de sair pela uretra, o que não causa dano à saúde, mas pode importar para quem deseja preservar a ejaculação ou a fertilidade. Na decisão compartilhada, as opções são colocadas lado a lado — alívio esperado, durabilidade, porte e anestesia, necessidade de sonda e efeitos sobre a ejaculação — e você participa da escolha. Perguntas úteis para a consulta: no tamanho da minha próstata, a RTU é a rota indicada ou há alternativa? O que muda na ejaculação e na fertilidade? Quanto tempo de sonda e de recuperação? Vale considerar Rezūm, UroLift ou laser? Levar o resultado do I-PSS e os exames torna a conversa mais objetiva.

Como é realizada

A RTU de próstata é feita em ambiente hospitalar, geralmente sob raquianestesia ou anestesia geral. Por dentro da uretra, o urologista introduz um aparelho endoscópico (ressectoscópio) e remove, em pequenos fragmentos, o tecido prostático que estreita o canal, controlando o sangramento durante o procedimento; não há incisões externas. O material removido costuma ser enviado para análise. Ao final, é colocada uma sonda vesical, muitas vezes com irrigação contínua nas primeiras horas para manter a urina clara. Existem variações técnicas (por exemplo, ressecção com energia bipolar), definidas conforme o caso e os recursos disponíveis. Os detalhes são individualizados e discutidos na consulta. A explicação acima é apenas ilustrativa e não representa compromisso com um resultado específico.

Benefícios, riscos e limitações

Toda conduta traz, ao mesmo tempo, benefícios, riscos e outras opções a considerar. Entre os pontos frequentemente descritos para a RTU estão o alívio consistente e duradouro da obstrução e o fato de remover tecido para análise, sem incisões externas — o que, ainda assim, varia conforme o caso e não deve ser lido como garantia. Entre os efeitos e riscos possíveis: a ejaculação retrógrada é comum após o procedimento; nas primeiras semanas pode haver ardência, urgência, aumento da frequência e sangue na urina; há risco de sangramento que demande atenção, de infecção urinária, de retenção urinária temporária e, a longo prazo, de estreitamento da uretra (estenose) ou do colo da bexiga; e, mais raramente, de alterações na continência. Por ser uma cirurgia, envolve também os riscos próprios da anestesia. A consulta deve contextualizar essas expectativas para o seu caso.

Recuperação e acompanhamento

O pós-operatório varia conforme o paciente. Em princípios gerais, há um curto período de internação e uso de sonda vesical por alguns dias, retirada conforme a orientação da equipe. O retorno às atividades leves acontece em poucos dias e a atividades mais intensas ao longo de algumas semanas, evitando esforço físico e mantendo boa ingestão de líquidos nesse período. Sintomas irritativos e um pouco de sangue na urina podem ocorrer nas primeiras semanas e tendem a diminuir. O acompanhamento reavalia os sintomas (novamente com apoio do I-PSS), o jato e o esvaziamento. As instruções personalizadas dadas pela equipe têm precedência sobre este conteúdo, que serve apenas como referência geral.

Sinais de alerta no pós-operatório

Procure a equipe ou um serviço de urgência diante de febre com calafrios, incapacidade de urinar (retenção) após a retirada da sonda, sangramento intenso ou com coágulos que dificultam a micção, dor que piora, ou ardência acompanhada de mal-estar importante. Um pouco de sangue na urina e de ardência nos primeiros dias é esperado; a piora progressiva, o sangramento intenso ou a impossibilidade de urinar, não.

Segunda opinião

Como a HPB pode ser tratada por várias técnicas — da RTU às opções minimamente invasivas e a laser — uma segunda opinião ajuda a confirmar a indicação e a comparar durabilidade, porte e efeitos, sobretudo quando pesam a preservação da ejaculação ou o tamanho da próstata. Trazer o resultado do I-PSS, o volume da próstata e os exames de fluxo urinário e de resíduo torna a avaliação mais objetiva.

Perguntas frequentes

A RTU não costuma ser a causa direta da perda de ereção, mas altera a ejaculação: a maioria dos homens passa a ter ejaculação retrógrada (o sêmen vai para a bexiga). Efeitos sobre a ereção e a continência são menos frequentes e devem ser discutidos individualmente.

Sim, uma sonda vesical é colocada ao final e permanece por alguns dias, muitas vezes com irrigação nas primeiras horas para manter a urina clara. O tempo é definido pela equipe conforme a recuperação.

Como a maioria dos homens passa a ter ejaculação retrógrada, a concepção pela via natural pode ficar comprometida. Quem deseja preservar a fertilidade deve conversar sobre isso antes do procedimento.

A RTU costuma oferecer alívio consistente e duradouro da obstrução, mas nenhum resultado é garantido. O acompanhamento avalia a resposta ao longo do tempo.

Não existe uma técnica universalmente superior. A RTU tende a dar alívio mais consolidado; as opções minimamente invasivas têm recuperação mais leve e maior preservação da ejaculação. A escolha depende da sua próstata, dos seus sintomas e das suas prioridades.

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Dr. Flávio Haruyo Iizuka — CRM-SP 75.674 — RQE 32.918 — Urologia.

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