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Criptorquidia: testículo não descido, avaliação e tratamento
Criptorquidia é a condição em que um ou os dois testículos não desceram para a bolsa escrotal, ficando retidos no trajeto entre o abdome e o escroto. É a alteração genital mais frequente ao nascimento nos meninos, e em parte dos casos o testículo desce sozinho nos primeiros meses de vida. Quando isso não acontece, o testículo não descido deve ser acompanhado e, na maioria das situações, posicionado cirurgicamente na bolsa — uma conduta que busca reduzir riscos futuros e preservar o potencial funcional do órgão.
O fio condutor é o momento certo de agir. A avaliação define se o testículo pode ser palpado, onde ele está e se há chance de descida espontânea; a partir daí, decide-se entre acompanhar por um período determinado ou indicar a correção. Deixar o testículo fora da bolsa por tempo prolongado se associa a maior risco de problemas de fertilidade e a uma vigilância diferente ao longo da vida, o que torna o cuidado no tempo adequado um ponto central.
Observação de escopo: esta página trata da criptorquidia de forma educativa, incluindo tanto o contexto pediátrico quanto a apresentação em adultos que não foram tratados na infância. O atendimento de crianças pode exigir encaminhamento à urologia pediátrica — a conduta e o acompanhamento são sempre individualizados.
Resposta pela equipe · São Paulo e São José dos Campos
O que é o testículo não descido
Durante a formação do bebê, os testículos se desenvolvem dentro do abdome e migram, antes do nascimento, até a bolsa escrotal. Na criptorquidia, essa descida não se completa, e o testículo permanece no abdome, no canal inguinal (a região da virilha) ou logo acima da bolsa. Ele pode ser:
- Palpável — quando o médico consegue senti-lo na virilha ou próximo à bolsa.
- Não palpável — quando não é identificado ao toque, situação que pode indicar um testículo mais alto, no abdome, ou ausente.
É importante diferenciar a criptorquidia verdadeira do testículo retrátil, que sobe e desce em resposta a estímulos e ao frio, mas ocupa a bolsa na maior parte do tempo. O testículo retrátil costuma apenas ser acompanhado; a criptorquidia verdadeira é que demanda a decisão sobre tratar.
Por que acompanhar e tratar — os riscos
Posicionar o testículo na bolsa não é apenas uma questão de forma. O objetivo é reduzir riscos associados à permanência do testículo fora do seu lugar:
- Fertilidade — a temperatura mais alta fora da bolsa pode prejudicar, ao longo do tempo, a produção de espermatozoides, especialmente quando os dois lados estão afetados.
- Vigilância — homens com histórico de criptorquidia têm indicação de atenção redobrada à saúde dos testículos ao longo da vida, e o testículo posicionado na bolsa é mais fácil de examinar e acompanhar.
- Aspectos associados — a criptorquidia pode vir acompanhada de uma hérnia inguinal e, em alguns casos, contribui para maior chance de torção, o que também pesa na avaliação.
Colocar o testículo na bolsa não elimina esses riscos por completo, mas melhora as condições de acompanhamento e a chance de preservar a função — por isso o tratamento é considerado no tempo adequado.
Leve a sua dúvida para a avaliação
Uma consulta esclarece a causa, os exames necessários e os próximos passos no seu caso.
Como é feita a avaliação
A avaliação é sobretudo clínica. O exame físico, feito em ambiente aquecido e com a criança relaxada, procura localizar o testículo e definir se ele é palpável. Essa etapa é a mais importante e, na maioria das vezes, já orienta a conduta.
Quando o testículo não é palpável, exames de imagem têm papel limitado e nem sempre resolvem a dúvida; em muitos desses casos, a investigação definitiva se dá durante a própria cirurgia, por videolaparoscopia, que permite localizar o testículo no abdome e tratá-lo no mesmo tempo. Em situações específicas — por exemplo, quando os dois testículos não são palpáveis — podem ser solicitados exames hormonais e outras avaliações para esclarecer o quadro. A investigação é individual e proporcional à necessidade de cada caso.
Tratamento — a orquidopexia
O tratamento habitual da criptorquidia é cirúrgico. A orquidopexia consiste em localizar o testículo, liberá-lo do trajeto em que ficou retido e fixá-lo na bolsa escrotal, na posição correta. Quando o testículo é palpável, o acesso costuma ser pela região da virilha; quando não é palpável, a videolaparoscopia ajuda a localizá-lo no abdome e a definir a forma adequada de descê-lo, às vezes em mais de uma etapa.
O momento da cirurgia é discutido caso a caso, levando em conta a idade, a posição do testículo e a chance de descida espontânea. Em crianças, há uma janela recomendada para a correção, e o acompanhamento serve justamente para não ultrapassá-la sem necessidade. Quando o testículo encontrado não é viável, a conduta é definida durante a cirurgia. Cada plano é individual, e a técnica se adapta ao que se encontra.
Criptorquidia no adulto
Nem sempre a criptorquidia é identificada ou tratada na infância. Homens adultos podem descobrir, em um exame de rotina ou durante a investigação de fertilidade, que um testículo nunca ocupou a bolsa. Nessas situações, a conduta é diferente da adotada na criança e leva em conta a fertilidade, os riscos de manter um testículo não descido no adulto e as opções disponíveis. A avaliação urológica é o passo para entender, no caso individual, qual caminho faz mais sentido — desde o acompanhamento até a indicação cirúrgica.
Quando procurar avaliação
Vale procurar avaliação urológica quando:
- Um ou os dois testículos não são sentidos na bolsa de um bebê ou de uma criança.
- Há dúvida entre testículo retrátil e testículo não descido.
- Um homem adulto percebe que um testículo nunca esteve na bolsa.
- Surge dor súbita e intensa na virilha ou na bolsa — nesse caso, trate como emergência e procure um pronto-socorro, pois pode estar relacionada a torção testicular.
Decisão compartilhada e segunda opinião
Acompanhar por um período, indicar a cirurgia agora ou definir a técnica de acesso são decisões que dependem da idade, da posição do testículo e das prioridades da família ou do paciente adulto. Explicar essas alternativas, com o que se espera de cada uma, faz parte da consulta.
Uma segunda opinião em urologia é especialmente útil diante de indicação cirúrgica, de testículo não palpável ou de dúvida sobre o momento de tratar. Para o conjunto das doenças da região, consulte o guia de testículo, bolsa escrotal e cordão; se a fertilidade é a preocupação no adulto, veja infertilidade masculina.
Perguntas frequentes
Pode. Em parte dos bebês, o testículo desce sozinho nos primeiros meses de vida. Quando isso não acontece dentro do período esperado, indica-se avaliação para decidir entre acompanhar mais um pouco ou posicionar o testículo na bolsa por cirurgia, no tempo adequado.
O testículo retrátil sobe e desce em resposta ao frio e a estímulos, mas ocupa a bolsa na maior parte do tempo, e costuma apenas ser acompanhado. Na criptorquidia verdadeira, o testículo permanece fora da bolsa, e é esse quadro que demanda a decisão sobre tratar.
Posicionar o testículo na bolsa busca preservar o potencial de fertilidade, facilitar o exame e o acompanhamento ao longo da vida e reduzir riscos associados. Não elimina todos os riscos, mas melhora as condições de vigilância e de função do órgão.
A orquidopexia localiza o testículo, o libera do trajeto em que ficou retido e o fixa na bolsa. Quando o testículo é palpável, o acesso costuma ser pela virilha; quando não é palpável, a videolaparoscopia ajuda a localizá-lo no abdome e a definir como descê-lo.
Procurar avaliação urológica. No adulto, a conduta é diferente da adotada na criança e considera a fertilidade, os riscos de manter um testículo não descido e as opções disponíveis, desde o acompanhamento até a indicação cirúrgica, de forma individualizada.
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Dr. Flávio Haruyo Iizuka — CRM-SP 75.674 — RQE 32.918 — Urologia.
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